Primeiro, o engano mais comum: o gin não é azul. Azul é o vidro.
Parece bobagem, mas a garrafa bonita explica parte da fama do Bombay Sapphire. A outra parte está no jeito de fazer, e é ela que interessa a quem faz a conta. Neste mês, a dose dele ficou colada na do Beefeater, a mais barata da nossa comparação. Com o mesmo preço por copo, a pergunta deixa de ser “quanto custa” e vira “o que muda”.
O que o vapor faz
Na maior parte dos gins, os botânicos (as plantas que dão aroma) ficam de molho no álcool, e tudo vai junto para o alambique. No Bombay, não. Os botânicos ficam em cestos, acima do líquido. Quando o álcool esquenta, é o vapor que sobe, passa por eles e leva o aroma.
A marca chama isso de infusão a vapor. A ideia, segundo a marca, é tirar o perfume das plantas sem cozinhá-las, para chegar a um aroma mais delicado.
Não dá para dizer que um método é melhor que o outro. Dá para dizer que eles são diferentes, e que essa diferença é o que você leva quando escolhe o Bombay em vez do Beefeater pelo mesmo preço de dose.
| Tipo | London Dry Gin |
|---|---|
| Destilaria | Laverstoke Mill, Hampshire, Inglaterra |
| Teor | 40% (garrafa vendida no Brasil) |
| Garrafa | 750 ml, 15 doses de 50 ml |
| Botânicos | dez, nem todos nomeados |
| Método | infusão a vapor |
| Gim-tônica da marca | 50 ml de gin, 100 ml de tônica, gelo grande, limão, taça balão |
40 contra 47
Aqui está a maior diferença entre o Bombay e os outros dois London Dry da lista. O Bombay vendido no Brasil tem 40% de álcool. O Beefeater tem 47%. O Tanqueray, 47,3%.
O curioso é que o mesmo rótulo sai com 47% nos Estados Unidos. É outra garrafa, com outro teor, e quem lê receita americana pode acabar exagerando no gin brasileiro, ou o contrário.
O que esses sete pontos mudam para você? A mesma dose de 50 ml leva menos álcool. A gin-tônica fica mais leve com a mesma receita. Para quem quer um copo mais suave, sem mexer em proporção, isso pesa a favor do Bombay.
E pesa contra em um caso: drink com ingrediente forte, como Negroni. Ali, o gin de teor mais alto aparece mais. O Bombay não some, mas fica mais discreto.
A receita da taça
A marca publica a sua gim-tônica, e ela é simples: uma parte de gin para duas de tônica (50 ml e 100 ml), gelo grande, limão e taça balão, aquela de boca larga.
Gelo grande derrete mais devagar e segura o drink sem aguar. A taça larga é a escolha de quem aposta no perfume do gin.
Repare na proporção: duas partes de tônica, e não três. Com 40%, o copo fica equilibrado assim. Se você usar a mesma proporção com um gin de 47%, o drink sai mais forte. Por isso a gente não trocaria um pelo outro sem ajustar a tônica.
Empate na dose
Neste mês, a dose do Bombay e a do Beefeater ficaram praticamente iguais, separadas por centavos. O Tanqueray ficou um pouco acima. Hendrick's e Roku, perto do dobro.
Com preço empatado, escolha pelo copo que você quer. Quer gin-tônica mais leve e perfumada, na taça, do jeito da marca? Bombay. Quer o cítrico mais marcado e a receita toda nomeada? Beefeater. Os dois são boa conta.
O que a página não lista
A marca fala em dez botânicos, escolhidos à mão. A página do produto nomeia alguns: a cubeba de Java (uma pimenta da Indonésia) e os grãos-do-paraíso (uma semente picante, parente do gengibre). Também aparecem, em material da marca, coentro do Marrocos, íris e angélica. A lista completa, com os dez, não aparece na página do produto.
Isso não é defeito. Proporção e fórmula ninguém abre. Mas, perto do Beefeater, que nomeia os nove, o Bombay conta menos sobre o que você está bebendo. Quem gosta de saber a receita vai sentir falta.
Outro Bombay na prateleira
Bombay Dry é outro gin da mesma marca, com oito botânicos. As garrafas se parecem. Na compra, procure o “Sapphire” no rótulo e o vidro azul.
E olhe o teor. A garrafa brasileira tem 40%. Se aparecer 47%, é outra versão, e a receita da marca foi pensada para a de 40.
O anúncio que encontramos neste mês era vendido e entregue pela própria loja, em garrafa de 750 ml.
Quem leva, quem passa
Leva quem quer gin-tônica leve e perfumada, na taça, gastando a menor dose da lista. Quem recebe gente que não costuma tomar gin também, porque os 40% perdoam mais a mão pesada.
Leva quem gosta de seguir receita. A da marca é clara, e funciona com a garrafa vendida aqui.
Passa quem quer o gin bem marcado num Negroni ou num Martini. O Tanqueray faz isso melhor, por pouco a mais na dose.
Passa quem quer pepino, flor ou chá no copo. O Bombay é London Dry, delicado, mas clássico.
Passa quem precisa saber a receita inteira. Essa é do Beefeater.
O azul fica na garrafa. No copo, o que você leva é um London Dry leve, de método próprio, pelo preço do mais barato.
